Os princípios do direito administrativo e o processo da contratação pública em Portugal
Em Portugal, a contratação pública é regulada pela legislação em vigor, que estabelece as regras e os procedimentos que devem ser seguidos pelas entidades adjudicantes na celebração de contratos públicos. Neste post iremos apresentar os princípios do direito administrativo em Portugal e de seguida o processo da contratação pública.
Os princípios gerais da contratação pública, como o princípio da igualdade, da publicidade, da concorrência e da transparência, devem ser apreciados ao longo de todo o procedimento, desde a decisão de contratar até a celebração do contrato. Estes princípios visam garantir a transparência, imparcialidade, eficiência e legalidade nos processos de aquisição de bens e serviços pelo Estado. Alguns dos princípios mais importantes da contratação pública em Portugal incluem:
- Princípio da legalidade - Todas as atividades de contratação pública devem estar em conformidade com a legislação aplicável, incluindo as leis, regulamentos e normas da União Europeia.
- Princípio da transparência - Todos os processos de contratação pública devem ser claros e transparentes, permitindo o acesso a informações relevantes para todos os interessados.
- Princípio da concorrência - Todos os interessados devem ter oportunidades iguais de participar nos processos de contratação pública, sem qualquer tipo de recrutamento.
- Princípio da igualdade - Todos os concorrentes devem ser tratados de forma equitativa e justa, sem qualquer tipo de preferência ou vantagem competitiva.
Estes são apenas alguns dos princípios fundamentais que regem a contratação pública em Portugal, sendo que outros também podem ser compatíveis dependendo do caso em questão, tais como:
- Princípio da economicidade - Os processos de contratação pública devem ser controlados de forma a garantir a utilização eficiente dos recursos públicos e a obtenção do melhor valor para o dinheiro investido.
- Princípio da qualidade - Os bens e serviços adquiridos devem ser de qualidade adequada, e as especificações técnicas devem ser claras e objetivas.
- Princípio da responsabilidade - Todos os envolvidos no processo de contratação pública devem agir com responsabilidade e integridade, evitando quaisquer conflitos de interesse ou práticas ilegais.
Para verificar a validade de um contrato público é necessário avaliar se todas as fases do procedimento foram respeitadas e se o contrato abrange os requisitos formais e materiais cumpridos nos artigos 283 e 285 do Código dos Contratos Públicos (CCP).
O processo de contratação pública em Portugal é composto por várias fases, que são as seguintes:
- Elaboração do processo de contratação pública: a entidade adjudicante deve elaborar o processo de inscrição pública, que inclui o caderno de encargos, as peças processuais, o anúncio de concurso e a lista de requisitos técnicos e financeiros que os concorrentes devem cumprir.
- Publicação do anúncio de concurso: a entidade adjudicante deve publicar o anúncio de concurso no Diário da República e em jornais de grande circulação, para que os interessados possam concorrer.
- Apresentação de propostas: consiste na ideia de que antes de decidir, a administração tem de ouvir os particulares e todos os interessados na tomada de decisão e, só depois, é que atua. Os concorrentes devem apresentar as suas propostas dentro do prazo estipulado no anúncio de concurso (Corresponde ao momento de participação dos municípios, presente no artigo 267º do CRP.)
- Análise e avaliação das propostas: a entidade adjudicante deve analisar e avaliar as propostas projetadas pelos concorrentes, com base nos critérios definidos no caderno de encargos.
- Adjudicação do contrato: a entidade adjudicante deve adjudicar o contrato ao concorrente que apresentou a melhor proposta, desde que este compreenda todos os requisitos técnicos e financeiros estipulados.
- Celebração do contrato: após a adjudicação, a entidade adjudicante e o vencedor devem celebrar o contrato e iniciar a execução do objeto contratual.
É importante salientar que a contratação pública em Portugal deve ser realizada de forma transparente, imparcial e competitiva, com o objetivo de garantir a melhor utilização dos recursos públicos e promover a concorrência entre as empresas.
Fontes: apontamentos das aulas do Professor Vasco Pereira da Silva; Diogo Freitas do Amaral, Curso de Direito Administrativo Vol. II
Maria Ribeiro Nunes
Nº 140121011
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